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Nyx


"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo

Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,

Que, para ouvi-las, muita vez desperto

E abro as janelas, pálido de espanto...


E conversamos toda a noite, enquanto

A via-láctea, como um pálio aberto,

Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,

Inda as procuro pelo céu deserto.


Direis agora: "Tresloucado amigo!

Que conversas com elas? Que sentido

Tem o que dizem, quando estão contigo?"


E eu vos direi: "Amai para entendê-las!

Pois só quem ama pode ter ouvido

Capaz de ouvir e de entender estrelas".  


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Olavo Bilac

(Soneto XIII; Via Láctea)  






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Nix é a personificação da noite, a patrona das feiticeiras e bruxas, a Deusa dos segredos e mistérios noturnos, rainha dos astros noturnos. Uma das melhores fontes de informação sobre essa deusa provém da teogonia de Hesíodo. Muitas referências são feitas a Nix no poema que descreve o nascimento dos deuses gregos. A explicação é simples: A Noite desempenhou um papel importante no mito como um dos primeiros seres a vir à existência.

Hesíodo afirma que a Noite era filha do Caos, o que a torna uma das primeiras criaturas a emergir do vazio. Isso significa que Nix era irmã de algumas das mais antigas divindades da mitologia grega, incluindo Érebo (a Escuridão), Gaia (a mãe Terra), Tártaro (Trevas abismais) e Eros (o amor da criação).

Dessas forças primordiais sobreveio o outros deuses. E Nix era responsável por dar origem aos filhos divinos.

Nix deu origem a um enorme número de filhos. Algunss desses filhos da Noite eram Éris (a Discórdia ou Altercação), as Moiras (Cloto, Lachesis e Atropos), Nêmesis (a Ética), as Queres (Morte em batalha), Oizus (A miséria), os Oniros (A legião dos sonhos), e os irmão gêmeos Hipnos (Deus do sono) e Tânatos (Deus da morte). Conquanto esses seres nasceram de deusas isoladas, sem um pai, Nix também teve filhos do Deus Érebo. Dele, a divindade deu à luz Éter (Luz Celestial) e Hemera (o Dia).


Em sua Teogonia, Hesíodo também descreve a residência proibida da Noite:

Lá também está a melancólica casa da Noite;

nuvens pálidas a envolvem na escuridão; Antes delas, Atlas se porta, ereto, e sobre sua cabeça, com seus braços incansáveis, sustenta firmemente o amplo céu, onde a Noite e o Dia cruzam um patamar de bronze e então aproximam-se um do outro.


Na tradição Órfica, todo universo e demais Deuses primais nasceram do Ovo Cósmico de Nix.

Nix, cuja raiz é o indo-europeu - Trevas superficiais ou A Noite. Habita o extremo Ocidente, além do país dos Cimérios, enquanto Érebo personifica as trevas subterrâneas e superiores ao manto da Escuridão eterna, superiores supremas.

Nix percorre o céu, coberta por um manto negro, sobre um carro puxado por quatro cavalos negros e sempre acompanhada das Queres. Certos poetas a consideram como mãe de Urano e de Gaia; Hesíodo dá-lhe um lugar entre os filhos do Caos com o posto de Mãe dos Deuses, porque sempre se acreditou que Nix e Érebo haviam precedido a todas as coisas. Nix é a patrona das feiticeiras e bruxas, é a Deusa dos segredos e mistérios noturnos, rainha dos astros da noite. Homero se refere a Nix com o epíteto "A domadora dos Homens e dos Deuses", demonstrando como os outros Deuses respeitavam-na e temiam esta poderosíssima deidade.


Nix, assim como Hades, possuía um capuz que a tornava invisível a todos, assistindo assim ao universo sem ser notada. Zeus tem um enorme respeito e temível pavor da Deusa da Noite, Nix. Os filhos de Nix são a Hierarquia em poder para os Deuses, sua maioria são divindades que habitam o mundo subterrâneo e representam forças indomáveis que nenhum outro Deus poderia conter. Em uma versão, as Erínias seriam filhas de Nix (Ésquilo). Nix era cultuada por bruxas e feiticeiras, que acreditavam que ela dava fertilidade a terra para brotar ervas encantadas, e também acreditava-se que Nix tinha total controle sobre a vida e a morte, tanto de homens como de Deuses.


Nix aparece ora como uma deusa benéfica que simboliza a beleza da noite (semelhante a Leto) e ora como cruel deidade Tartárea, que profere maldições e castiga com terror noturno (Hécate e Astéria). Nix é também considerada Deusa da Morte, a primeira rainha do mundo das Trevas possuindo dons proféticos. Foi ela quem criou a arma que Gaia entregou a Cronos para destronar Urano.

Nix conhecia o segredo da imortalidade dos Deuses podendo tirá-la e transformar um Deus em mortal, como ela fez com Cronos após este ser destronado por Zeus.


Desposou Érebo, seu irmão gêmeo, de quem teve o Éter (Luz celestial) e Hemera (Dia). Mas sozinha, sem se unir a nenhuma outra divindade, procriara o inevitável e inflexível Moros (o Destino), Quer (a Fatalidade), os gêmeos Tânato (Morte) e Hipnos (o Sono), os Oniros (a legião dos Sonhos), Momos (Escárnio), Oizus (Miséria), as Hespérides (Tarde), guardadoras dos pomos de ouro, as desapiedadas Moiras (Deusas do destino), as Queres (a Morte em batalha), a divina Nêmesis (Deusa da vingança, justiça e equilíbrio), Apáte (o engano, fraude), Filotes (a Amizade, carinho), Geras (velhice), Éris (Discórdia) entre outros. Em resumo, tudo quanto havia de doloroso na vida era considerado obra de Nix. A maior parte dos outros descendentes da deusa nada mais são que conceitos e abstrações personificados; sua importância nos mitos é muito variável. Ela e seu irmão eram os únicos deuses primordiais que podiam ter filhos com humanos.


Quase todos os povos da Itália viam Nix ora com um manto volante recamado de estrelas por cima de sua cabeça e archote derrubado, ora representavam-na como uma mulher nua, com longas asas de morcego e um fanal na mão. Representam-na também coroada de papoulas e envolta num grande manto negro, estrelado. Na mitologia grega a papoula era relacionada a Hipnos, o deus do sono e filho de Nix - que a tinha como planta favorita e, por isso, era representado com os frutos desta planta na mão. Há também uma relação entre a papoula e a deusa Nix. Freqüentemente, ela é representada coroada de papoulas e envolta num grande manto negro e estrelado. Às vezes num carro arrastado por cavalos pretos ou por dois mochos, a deusa cobre a cabeça com um vasto véu semeado de estrelas e com uma lua minguante na testa ou como brincos. Muito freqüentemente colocam-na no mundo subterrâneo, entre Hipnos e Tânatos, seus dois filhos. Algumas vezes um menino precede-a, empunhando uma tocha, símbolo do crepúsculo.

Os romanos representavam-na ociosa e sempre adormecida.


É muito rica em todas as potencialidades de existência, mas entrar em Nix é regressar ao indeterminado, onde se misturam pesadelos, íncubos, súcubos e monstros. Símbolos do inconsciente, é no sono noturno que estes se liberam.


Hemera e as Hespérides nasceram para ajudar Nix a não se cansar, e assim nasceu o ciclo diário, Hemera traz o dia (relaciona com Eos, a Aurora, e Hélio, o Sol); as Hespérides trazem a tarde, (relaciona com Selene, a Lua) e Nix traz a absoluta Noite, todas estas deidades em conjunto conduzem a dança das Horas; complementando estes ciclos temos outros deuses de outras linhagens, como as Horas que representam ciclos mensais e anuais; Leto e Hécate que recebem o legado de Nix como deidade da noite.


As Moiras, filhas de Nix (Cloto, Laquesis e Atropo); são outra continuidade dos poderes gigantescos de Nix do negro véu...

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