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  • nádiamaria

Alma

…” Porque se diz que a alma tem asas de pássaro e voa aos céus, ou algumas vezes que é uma borboleta. A palavra 'psique' significa também borboleta, assim a alma é apresentada em antigos monumentos com asas de borboleta. E todos os anjos têm asas de pássaros, eles são todos como pássaros.


Por isso, quando os índios brasileiros dizem que são papagaios vermelhos, estão simplesmente afirmando que suas almas têm asas, que eles têm um ser alado dentro deles… E tal asserção contra os fatos é o começo da cultura, um ponto de vista acima do biológico.”

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(C. Jung, Seminários sobre visões)


Ela salta num pé só, e depois no outro. Ela abana seu leque de penas por toda parte. Ela é A Borboleta que chegou para dar forças aos fracos. Ela é o que a maioria considera não ser forte: a velhice, a borboleta, o feminino.

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A Donzela Borboleta é a força feminina fertilizadora. Ao transportar o pólen de um lugar para outro, ela fecunda por cruzamento, da mesma forma que a alma fertiliza a mente com sonhos, da mesma forma que os arquétipos fertilizam o mundo concreto. Ela é o centro. Ela aproxima os opostos ao tirar um pouco daqui e levá-lo para lá. A transformação não é nem um pouco mais complicada do que isso. É essa a sua lição. É assim que a borboleta faz. É assim que a alma atua.

A Mulher-borboleta corrige a idéia equivocada de que a transformação é só para os torturados, para os santos, ou apenas para os tremendamente fortes. O Self não precisa mover montanhas para se transformar. Um pouco basta. Um pouco vai longe. Um pouco muda muita coisa. A força fertilizadora substitui a movimentação de montanhas.


A Donzela Borboleta poliniza as almas da terra. É mais fácil do que vocês pensam, diz ela. Ela abana seu leque de penas e saltita porque está derramando pólen espiritual sobre todos os presentes, índios norte-americanos, criancinhas, turistas, todo mundo. Ela está usando seu corpo inteiro como uma bênção, esse seu corpo velho, frágil, grande, manchado, de pernas curtas e quase sem pescoço. Essa é a mulher vinculada à sua natureza selvagem, a intérprete da força instintiva, fertilizante, a que conserta, a que recorda antigas idéias. Ela é La Voz Mitológica. Ela é a encarnação da Mulher Selvagem. (...)


Nos mitos e contos de fadas, as divindades e outros espíritos poderosos testam o coração dos seres humanos ao aparecer sob diversas formas que disfarçam sua natureza divina. Aparecem usando mantos, farrapos, faixas de prata ou com os pés enlameados. Aparecem com a pele morena como madeira escura, ou em escamas feitas de pétalas de rosa, como uma frágil criança, como uma velha de um amarelo-esverdeado, como um homem que não sabe falar ou como um animal que sabe. Os grandes poderes estão querendo descobrir se os seres humanos já aprenderam a reconhecer a grandeza da alma em todas as suas variações. A Mulher Selvagem aparece em muitos tamanhos, formas, cores e condições. Mantenha-se alerta para poder reconhecer a alma selvagem em todos os seus inúmeros disfarces.



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La Mariposa, a Mulher-borboleta, Mulheres que correm com os lobos; Clarissa Pinkola Estes.