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Chopin


O piano sempre esteve em destaque nas peças de Chopin, ele próprio um exímio pianista que escreveu em vários estilos. Primeiro poeta do instrumento, sua música é elaborada e ao mesmo tempo lírica, delicada...


Chopin inventou o conceito da balada instrumental. As suas principais obras para piano incluem também mazurkas, valsas, nocturnos, polacas, estudos, improvisações, scherzos, prelúdios e sonatas, algumas publicadas apenas postumamente. Entre as influências no seu estilo de composição estão a música folclórica polaca, a tradição clássica de J. S. Bach, Mozart e Schubert, e a atmosfera dos salões de Paris, dos quais era um hóspede frequente. As suas inovações em estilo, harmonia e forma musical, e a sua associação da música com o nacionalismo, foram influentes durante e após o final do romantismo. Os seus Prelúdios, Op. 28 e Estudos, Op. 10 e 25 tornaram-se rapidamente obras-modelo, e inspiraram tanto os Estudos Transcendentais de Liszt como os Estudos Sinfônicos de Schumann. Alexander Scriabin também foi fortemente influenciado por Chopin; por exemplo, os seus 24 Prelúdios, Op. 11 foram inspirados pela Op. 28 de Chopin.





Frédéric François Chopin O Poeta do Piano

Fryderyk Franciszek Chopin (Frédéric François Chopin), nasceu na pequena vila de Zelazowa Wola, no Ducado de Varsóvia, no dia 1 de Março de 1810. O seu pai, Nicholas Chopin, era um emigrante francês que trabalhava como guarda-livros quando conheceu e se casou com Justyna Krzyzanowska, sua mãe. Logo após o nascimento de Chopin, Nicholas encontrou emprego como tutor de famílias aristocráticas em Varsóvia, o que expôs o jovem Chopin à cultura da sociedade de Varsóvia, e a sua mãe ensinou-lhe música desde tenra idade. Uma criança prodígio, cujas aptidões musicais o fariam devotar uma exclusividade quase total ao piano.

Frédéric publicou a sua primeira composição aos 7 anos e começou a apresentar-se nos elegantes salões de Varsóvia um ano depois, escrevendo as suas próprias composições, entre as quais se conta a Polonaise em Sol menor, Op. Posth.

Os seus pais, reconhecendo o seu enorme talento, contrataram o pianista e compositor Wojciech Żywny para o ensinar, matriculando-o mais tarde no Conservatório de Música de Varsóvia, onde estudou durante três anos com o compositor polaco Josef Elsner. No entanto, sentindo que o talentoso Frédéric carecia de uma experiência musical mais ampla, os seus progenitores enviaram-no para Viena, onde o compositor fez a sua estreia em 1829. O público vienense ficou maravilhado com as suas altamente técnicas, mas poeticamente expressivas, atuações. Nos anos seguintes, Chopin apresentou-se na Polônia, na Alemanha, na Áustria e na França, em Paris.

Em 1830 decide abandonar Varsóvia disposto a prosseguir a sua carreira em Viena e Paris. Pouco tempo depois recebe a notícia de que a Polônia se encontrava sob o domínio russo. Os acontecimentos políticos que afetam a sua pátria ficaram espelhados numa das suas peças mais célebres: o Estudo Revolucionário op.10 nº12. Chopin nunca mais conseguiu regressar à Polónia, mas a forte ligação que o unia ao seu país ficou para sempre presente na sua obra, especialmente em composições como as Polacas e as Mazurcas.


Em 1831 Chopin fixa residência em Paris, onde permanece até ao final dos seus dias. Com apenas 21 anos, os elementos fundamentais do seu estilo encontravam-se já fixados e a sua produção musical contava com cerca de cinquenta obras. Socializando com a alta sociedade parisiense, rapidamente estabeleceu relações com um conjunto de artistas notáveis como os compositores Liszt, Berlioz, Rossini e Meyerbeer, os escritores Victor Hugo, Balzac, Lamartine, George Sand, Musset, Dumas e Heinrich Heine e o pintor Delacroix, autor do mais célebre dos seus retratos.


O papel de Chopin na capital francesa foi bem distinto do dos restantes virtuosos da época. Em vez do palco das grandes salas de concerto, Chopin preferia a intimidade dos salões. O seu carácter reservado fez com que se apresentasse poucas vezes em público e se mantivesse à margem da estrondosa publicidade tecida em torno de figuras como Paganini, Liszt ou Thalberg.


Em 1838, iniciou uma relação com a romancista francesa Amandine-Aurore-Lucile Dupin, também conhecida como George Sand, que havia conhecido em 1836. O casal passou um Inverno rigoroso na ilha espanhola de Maiorca, onde Chopin adoeceu.


Em Março de 1839, Sand percebeu que Chopin precisava de atenção médica e levou-o para Marselha, onde foi diagnosticado com tuberculose. Após um período de recuperação nessa cidade, em Maio de 1839, Chopin e Sand instalaram-se a sul de Paris, em Nohant, na casa de campo de Sand. Os sete anos seguintes provaram ser o período mais feliz e produtivo da vida de Chopin, durante o qual compôs uma série de obras-primas, incluindo a Sonata em Si bemol menor, Op. 35, a Sonata em Si menor, Op. 58, os Nocturnes, Op. 55, a famosa Polonaise em Lá bemol Maior, Op. 53 “Heróica” e as Mazurkas, Op. 56. A crescente procura de novos trabalhos e a sua melhor compreensão do negócio editorial também trouxeram um aumento de rendimentos e proporcionaram a Chopin um estilo de vida elegante.


Um dos artistas mais originais do romantismo, Chopin exerceu desde sempre um grande fascínio junto do público devido à peculiar fantasia musical que utilizou para forjar uma linguagem indissociável do piano. Partindo de Hummel e Field, desenvolve um estilo de uma depurada nitidez que mergulha as suas raízes em Bach e Mozart ao mesmo tempo que se afasta do dramatismo exibicionista de Liszt. Esta vertente mais intimista não impediu que Chopin se tornasse um dos pioneiros da técnica pianística moderna.


Mestre indiscutível dos gêneros breves, é através deles que o seu gênio adquire maior plenitude demonstrando uma ampla paleta de recursos expressivos: o intimismo e a fantasia lírica nos Nocturnos, Impromptus e Prelúdios, os rasgos melódicos e rítmicos das danças populares nas Polacas e Mazurcas, a elegância e o brilhantismo dos salões nas Valsas, a energia apaixonada nos Scherzos, o encanto e a fogosidade romântica da poesia polaca nas Baladas ou a técnica pianística transformada em poesia nos Etudes.


É amplamente conhecido como um dos maiores compositores para piano e um dos pianistas mais importantes da história. Todas as composições de Chopin incluem o piano. A maioria é para piano solo, embora também tenha escrito dois concertos para o instrumento, algumas peças de câmara e cerca de 19 canções com poemas em polaco. A sua escrita para piano era tecnicamente exigente e ampliou os limites do instrumento: as suas próprias actuações eram notadas pelas suas nuances e sensibilidade.


As peças de Chopin apresentam uma espontaneidade tal que parecem ter nascido de uma improvisação.


Muito conhecido por sempre improvisar, suas músicas não possuíam versão definitiva, pois ele sempre tocava suas obras de formas diferentes, o que gera um árduo trabalho para os estudiosos de suas obras.


"Põe toda a tua alma nisso, toca da maneira como sentes a música!" — F. Chopin

O próprio Chopin nunca nomeou uma obra instrumental para além do gênero e número, deixando todas as suas potenciais associações extra-musicais para o ouvinte; os nomes pelos quais nós conhecemos muitas de suas peças foram inventados por outros.


“A simplicidade é a conquista final. Depois de ter tocado uma quantidade de notas e mais notas, é a simplicidade que emerge como a recompensa coroada da arte.“ — F Chopin

Arthur Rubinstein sobre a música de Chopin e sua universalidade, disse:


"Chopin fez uma revolução na música tradicional para piano e criou uma nova arte do teclado. Era um gênio de enlevo universal. Sua música conquista as mais distintas audiências. Quando as primeiras notas de Chopin soam por entre o salão de concerto, há um feliz suspiro de reconhecimento. Todos os homens e mulheres do mundo conhecem sua música. Eles amam isso. Eles são movidos por isso. No entanto, não é uma "música romântica", no sentido byroniano. Não conta histórias ou quadros pintados. É expressiva e pessoal, mas ainda assim uma arte pura. Mesmo nesta era atômica abstrata, onde a emoção não está na moda, Chopin perdura. Sua música é a linguagem universal da comunicação humana. Quando eu toco Chopin eu sei que falo diretamente para os corações das pessoas!"



Em meados da década de 1840, a saúde de Chopin e o seu relacionamento com George Sand deterioraram-se, eles se separam em 1848. O espírito e a saúde de Chopin foram afectados. Fez uma excursão prolongada às Ilhas Britânicas, onde se debateu com uma agenda exaustiva, fazendo a sua última aparição pública em 16 de Novembro de 1848.

Em seguida, regressou a Paris, onde veio a falecer nas primeiras horas do dia 17 de Outubro de 1849, aos 39 anos.


Em seu leito de morte, Chopin estava rodeado de amigos e como gostava muito de flores, logo depois de sua morte recebeu tal quantidade que parecia repousar em um jardim. Como era costume na época, foi feita uma máscara mortuária por Auguste Clesinger. A máscara foi rejeitada pela família, pois demonstrava claramente a expressão de sofrimento, mas o escultor remodelou a peça, dando assim uma aparência mais tranquila.


Antes do sepultamento no Cemitério Père Lachaise, em Paris, os amigos atenderam seu último pedido, rabiscado em um papel, na véspera da morte: seu corpo deveria ser aberto e o coração extirpado – devido a seu medo de ser enterrado vivo – e enviado à Polônia.

Seu coração foi posto por sua irmã em uma urna de cristal selada destinada a Varsóvia. O coração permanece até hoje lacrado dentro de um pilar da Igreja da Santa Cruz (Kościół Świętego Krzyża) em Krakowskie Przedmieście, debaixo de uma inscrição do Evangelho de Mateus, 6:21: "onde seu tesouro está, estará também seu coração"


Chopin havia pedido que o Réquiem de Mozart fosse tocado em seu funeral.

Os principais trechos do Réquiem foram compostos para cantoras, mas a Igreja de Madeleine nunca havia permitido mulheres em seu coro. O funeral teve um atraso de quase duas semanas até que a igreja aceitasse, contanto que as cantoras ficassem atrás de uma cortina de veludo preto.


"Toque Mozart em memória a mim — e eu ouvirei você."

(“Play Mozart in memory of me— and I will hear you.”)

—Frédéric Chopin



Ref: Joaquín Rubio Tovar, Chopin, poeta del piano. Selected Correspondence of Fryderyk Chopin: Heinemann. Zamoyski, Adam (2010). Chopin: Prince of the Romantics. George R. Marek, Maria Gordon-Smith (1978). Chopin. A biography. Jeremy Siepmann (1995). Chopin. The Reluctant Romantic. Hans Werner Wuest (2001). Casimir Wierzinsky. Chopin. Prefácio de Arthur Rubinstein. Frédéric Chopin. Vidas de grandes compositores. Henry Thomas e Dane Lee Thomas. O piano como um poema; Cristina Fernandes. O poeta do piano; Michel Reis.