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  • nádiamaria

Druantia

Druantia; 2020.

Druantia:

Druantia é a Deusa celta das árvores e da fertilidade dos homens e plantas. Seu nome deriva da raiz indo-européia “deru” ou “drus“, que significa árvore ou madeira e é o mesmo nome usado para “Carvalho” na língua celta britânica. Essa mesma raíz também deu origem à palavra “Druida”, sendo que Druantia também era conhecida como Rainha dos Druidas.

Descrita como uma senhora que por onde passa deixa a fragrância de grama cortada. Druantia está associada à fertilidade de plantas e humanos. Sua face ligada às árvores simboliza proteção, conhecimento, criatividade e crescimento. Ela é uma Deusa tripla de abetos. À Ela é creditada a criação do calendário celta das árvores, que divide o ano em 13 meses que correspondem aos ciclos da lua. Os Druidas, posteriormente, associaram este calendário ao alfabeto oghâmico, criado pelo deus Ogma, dos Tuatha e Danann, detentor da eloquência e inspiração artística.

a força indestrutível e a constante renovação / capacidade de autorregeneração e ressignificação:



Mulheres talentosas, mesmo quando resgatam sua vida criativa, mesmo quando obras lindas saem das suas mãos, da sua caneta, do seu corpo, continuam a questionar se são realmente escritoras, pintoras, artistas, gente, gente de verdade. E é claro que elas são reais, muito embora possam gostar de se atormentar quanto ao que constitui a realidade. Uma agricultora é real quando olha suas terras lá fora e planeja o plantio de primavera. Uma corredora é real quando dá o primeiro passo. Uma flor é real quando ainda está no caule da planta-mãe. Uma árvore é real quando ainda é uma semente dentro de um pinhão. Uma árvore adulta é um ser vivo real. Real é tudo o que tem vida. (...)



(...) Nós quase sempre começamos num deserto. Temos uma sensação de perda de direitos, de alienação, de não estarmos vinculadas nem mesmo a uma moita de cactos. Os antigos chamavam o deserto de lugar da revelação divina. Para as mulheres, porém, ele oferece muito mais do que isso. O deserto é um lugar em que a vida se apresenta muito condensada. As raízes das plantas se agarram à última gota d´água, e as flores armazenam umidade abrindo apenas de manhã cedo e ao final da tarde. A vida no deserto é pequena, mas brilhante, e quase tudo que acontece tem lugar no subsolo. Essa descrição é semelhante à vida de muitas mulheres. O deserto não é exuberante como a floresta ou a selva. Ele é muito intenso e misterioso nas suas formas de vida. Muitas de nós vivem vidas desérticas: ínfimas na superfície e imensas por baixo. (...)

A psique de uma mulher pode ter chegado ao deserto em virtude da ressonância de crueldades passadas ou por não lhe ter sido permitida uma vida mais ampla a céu aberto. Por isso, muitas vezes uma mulher tem a sensação de estar vivendo num local vazio, onde talvez haja apenas um cacto com uma flor de um vermelho vivo, e em todas as direções 500 quilômetros de nada. No entanto, para aquela que se dispuser a andar 501 quilômetros, existe mais alguma coisa. Uma casa pequena e admirável. Uma velha. Ela está à sua espera.

Algumas mulheres não querem estar no deserto psíquico. Elas detestam a fragilidade, a escassez. Não param de tentar fazer com que um calhambeque enferrujado funcione para que possam descer aos solavancos pela estrada, na direção a uma refulgente cidade que fantasiam na pisque. Decepcionam-se, porém, pois a exuberância e a vida selvagem não se encontram ali. Elas estão no mundo do espírito, no mundo entre os mundos, Río Abajo Río, no rio por baixo do rio.

Não seja tola. Volte para debaixo daquela única flor vermelha e siga em frente, percorrendo aquele último e árduo quilômetro. Aproxime-se e bata à porta castigada pelas intempéries. Suba até a caverna. Atravesse engatinhando a janela de um sonho. Peneire o deserto e veja o que encontra. Essa é a única tarefa que temos a cumprir.


Recuperar o sagrado feminino em nós significa deixar a nossa vida criativa florescer; nossos relacionamentos adquirirem significado, profundidade e saúde; nossos ciclos da sexualidade, criatividade, diversão, e trabalho serem restabelecidos. Nós temos o dom inato de dispor de uma observadora interna permanente, uma sábia, uma visionária, um oráculo, uma inspiradora, uma intuitiva, uma criadora, uma inventora, e uma ouvinte que guia, sugere e estimula a vida vibrante nos mundos interior e exterior. Nós somos isso e muito mais!

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Mulheres que correm com os lobos; Clarissa Pinkola Estes