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Mulheres - Árvores


A MULHER QUE SABE SEUS ATRIBUTOS:

CAPACIDADE DE DESAFIAR AS PROBABILIDADES

E ENSINAR OUTRAS A FAZER O MESMO.


As árvores filhas



Toda árvore possui por baixo da terra uma versão primeva de si mesma. Por baixo da terra, a árvore venerável abriga "uma árvore oculta", feita de raízes vitais constantemente nutridas por águas invisíveis. A partir dessas radículas, a alma oculta da árvore empurra a energia para cima, para que sua natureza mais verdadeira, audaz e sábia viceje a céu aberto.


O mesmo acontece com a vida de uma mulher. Como a árvore, não importa em que condições ela esteja acima da terra, exuberante ou sujeita a enorme esforço... por baixo da terra existe "uma mulher oculta" que cuida do estopim dourado, aquela energia brilhante, aquela fonte profunda que nunca será extinta. "A mulher oculta" está sempre procurando empurrar esse espírito essencial em busca da vida... para cima, para que atravesse o solo cego e consiga nutrir seu eu a céu aberto e o mundo ao seu alcance.

Seus períodos de expansão e reinvenção dependem desse ciclo. Você já amou uma árvore? Se amou uma floresta ou uma árvore, sabe que existem árvores que, apesar de tudo o que tenha dado errado, conseguem enganar a todos — e sobrevivem para contar e ensinar sobre seu admirável retorno à vida. É mais uma vez o estopim dourado.


Conheci muitas dessas árvores vigorosas nos bosques do norte onde passei a infância. Contudo, naquela época, como ocorre com frequência na vida das mulheres também, as grandes árvores eram repetidamente expostas a riscos por conta de rápidos esquemas de incorporação imobiliária. Em vez de ver a terra como um corpo vivo e construir em harmonia com suas curvas de nível, empreendimentos inteiros eram dispostos sobre o terreno, forçando-o a se adequar a ideias que não eram da sua criação. Foi assim que muita terra fértil e cultivável ficou soterrada debaixo de cubículos de casas idênticas, tanto que os morros e patamares da terra pareciam blindados como as escamas sobrepostas ao longo da espinha de um dragão. As praias foram transformadas em concreto; e trilhas verdejantes foram asfaltadas até praticamente não restar um trecho de verde sequer. Nesse ambiente, as árvores, tanto as velhas quanto as novas, eram ameaçadas diariamente pela poluição, pela invasão do seu espaço, por alterações no lençol freático e, em consequência, pelo desequilíbrio dos nutrientes essenciais que extraíam do solo.


Uma dessas árvores ameaçadas que conheci era uma enorme avó, um choupo. Essa árvore específica tinha sobrevivido por vários séculos a todo tipo de intempérie, inundação, congelamento e a todas as criaturas que tentaram corroê-la. Ela era o que nós chamávamos de "árvore da nevasca no verão" porque lançava suas sementes diminutas presas a uma reluzente penugem branca. Elas voavam e flutuavam nos ventos quentes da primavera, gerando uma tempestade de neve fina e transparente. Seria um equívoco imaginar que, por lançar suas sementes em saias cheias de babados, ela fosse frágil. Ela não era. Era uma guerreira.


Um dia, porém, mesmo depois de provar seu valor nas batalhas que nunca buscava, mas que vinham confrontá-la diretamente repetidas vezes, e embora continuasse resistindo, ereta e majestosa... bem, um dia ela foi "descoberta" por um grupo de gente armada de serras de arco e machados. E então, ao longo de algumas semanas terríveis — pois tamanha era sua circunferência, tão profundos eram seu coração e sua força —, sem nenhuma cerimônia, ela foi picada e derrubada. Depois, foi levada embora por um grande caminhão preto com chaminé. Na serraria antiquada, de teto de zinco, ela foi mais "desdobrada" — como se diz nas madeireiras — em madeira comum para estrados de carga e caixotes. E, como ocorre muitas vezes na vida de uma mulher, a conclusão era que ela havia sido derrubada, e que agora esse era o seu fim. E alguns, que tinham outros planos em mente, podem ter dito: "Já vai tarde."


Mas... a mulher oculta que cuidava do estopim dourado lá por baixo da terra pensava de outro modo. Imagine um tijolo, de verdade. Agora imagine um enorme choupo vivo, confinado numa casca que tivesse os formatos e tamanhos de milhares de tijolos toscos em linhas ondulantes de cima a baixo, pelo tronco inteiro. Era essa a profundidade com que a casca do choupo estava entalhada — em si uma visão espantosa. Os velhotes que se alojavam entre os emaranhados de fios e mangueiras no posto de combustível disseram que a casca espessa fez com que os primeiros golpes poderosos dos machados saltassem de volta dos cortes e perseguissem os lenhadores pela rua abaixo. Disseram que só a remoção da casca do tronco exigiu sete dias de trabalho pesado. É difícil matar a vigorosa carapaça de um espírito altaneiro.


A vida de uma árvore, a vida de uma mulher, não precisava e não precisa ser assim, tolhida e retalhada para abrir caminho para outra coisa de valor duvidoso. Há outros modos de viver sua vida e deixar outras vidas em paz; de se harmonizar, de chegar ao pleno florescimento por toda parte.

Minha família vinha de uma tradição camponesa na qual as árvores para corte eram separadas das árvores da floresta. Eles semeavam árvores em áreas demarcadas: algumas para vender, algumas reservadas para o uso da madeira. Mas, as gigantes da Natureza eram encaradas de outro modo:


As árvores da floresta não deviam ser derrubadas, pois as grandes árvores eram as verdadeiras guardiãs espirituais do povoado. As árvores guardiãs eram a proteção da aldeia contra o calor do verão. Durante tempestades, elas desviavam a mira do vento. Com seu tronco, seguravam os amontoados de neve, e evitavam que a neve acabasse por soterrar os chalés rurais e pusesse vidas em perigo. As grandes árvores da floresta impediam que grãos soprados pelo vento entrassem pelas mínimas junções nos beirais dos telhados e pelas soleiras das portas. Isso elas faziam apanhando nos seus ramos frondosos a poeira que o vento levantava dos campos. As velhas árvores propiciavam uma felicidade luminosa e calma ao coração de todos os que as viam ou que nelas se encostavam. E assim, as velhas árvores, como os anciãos da aldeia, nunca eram cortadas nem deixadas à míngua. Na antiga tradição da terra natal, se essa árvore da qual estamos falando tivesse tido uma morte natural, "no momento certo da sua própria hora", só então ela teria sido derrubada, caso não tivesse caído sozinha. Do seu tronco, porém, seria tirado um pau de cumeeira, assim como muitas escoras e ripas para forro. A partir daí, haveria uma casa cuja estrutura seria construída com sua madeira. A casa seria construída "ao alcance da visão" das raízes da velha árvore. Isso para que todos pudessem dizer com orgulho: "Está vendo? No final da vida, essa árvore foi derrubada com a devida gentileza. Ela então veio para um lugar bom e próximo sob uma nova forma. Seu amor por nós e nosso amor por ela nunca terminaram. Ela ainda está conosco."


Se, em vez de viver no embotamento do mundo moderno — que às vezes pressiona os seres humanos a adotar eficácias a curto prazo, em vez de um planejamento a longo prazo que mantenha viva a generosidade da Natureza —, o grande choupo tivesse vivido na terra dos antepassados, dos seus nós, os velhos sábios teriam esculpido tigelas que acompanhassem os rios do seu veio. As tigelas seriam usadas como recipientes para leite de égua e para pão preto. O pintor de imagens do povoado teria pintado na parede de argamassa caiada da varanda da casa, abaixo do telheiro, um retrato do próprio choupo — para demonstrar que as raízes da casa e as raízes da enorme árvore estavam unidas por baixo da terra tanto quanto a céu aberto. Mas isso era naquela época. E um momento em que algumas pessoas se esquecem de que a Natureza não é um desconhecido, mas faz parte da família.


Depois que o choupo foi derrubado, as pessoas tiveram muitos sentimentos a respeito do seu fim — algumas ficaram impassíveis; outras, em número muito maior, ficaram indignadas. Mas a maioria se sentiu desconcertada com a destruição de um ser tão admirável — um ser que na maior parte do tempo fornecia tudo para qualquer um que quisesse qualquer coisa.


A árvore avó: o repouso à sua sombra; o brilho das estrelas atravessando sua copa à noite; uma criatura na qual era possível descansar; um conforto no som incomparavelmente tranquilizador do vento nas folhas falantes. Um lugar onde namorados podiam se demorar, um tronco no qual alguém poderia se encostar para chorar, uma copa sob a qual espíritos afins poderiam conversar em paz.


No local onde antes ela tocava o céu, havia agora um espaço sinistro, um vazio, uma abertura escura que dava para lugar nenhum. Nem mesmo os arbustos frondosos e as formas de samambaias que viviam perto do chão — esses jamais poderiam compensar a falta da sua torre verde. E, ainda assim, a mulher oculta debaixo da terra cuidava do estopim dourado. Sempre. E sempre...


Ao longo do ano, começou a acontecer alguma coisa com aquele enorme cepo de choupo. O que restou da árvore no chão tinha mais de 1,80 metro de diâmetro. Aquele tampo de mesa plano e prateado era grande o suficiente para que quatro mulheres de quadris largos se deitassem nele, lado a lado, sem desconforto. O tempo passava. E passava. Então... teve início o que chamo de "um lento milagre". Do cepo liso sobre o qual a árvore viva um dia se erguera, cresceram 12 rebentos a partir da velha árvore avó. Direto para o alto. Fortes. Ondulantes. Dançando numa roda. Em cima do cepo. Em torno da sua borda... 12 árvores que dançavam. As árvores jovens que cresceram a partir do corpo do velho choupo eram obviamente suas filhas.


Na mitologia, uma árvore dessas "com sua prole" às vezes é chamada de "árvore do círculo de fadas"; espíritos que brotam do que parece estar morto... para dançar sem parar na alegria de uma nova vida. Elas não foram semeadas. São evocações. Elas surgem, "as muitas a partir de uma só", daquele único estopim dourado.


Na mitologia grega, é Deméter, a mãe terra, que morre quando sua filha desaparece. E Deméter que volta à vida vibrante quando a filha lhe é restituída. Da mesma forma, essa grande árvore: as filhas provêm da raiz mãe mais antiga; elas trazem tudo de volta à vida outra vez. Não à vida estática. A vida que dança.


Esse tipo de árvores com "rebentos" ocorre na Natureza, porque a vida nova está armazenada na raiz — mesmo que a massa maior acima da terra tenha sido derrubada, tenha sido levada dali — mesmo que a vida de uma criatura não tenha sido tratada com o devido respeito, ou não tenha sido gerada corretamente — mesmo quando cercada de apatia e indiferença. Mesmo que a carapaça tenha sido partida e destruída.

Imagine só: a partir do espaço vazio, voltar não apenas com um novo rebento uma vez, mas com muitos.

Independentemente de todas as outras condições, a mulher oculta por baixo da terra cuida do estopim dourado. Agora, com os ventos ousados, as folhas dessas arvoretas altas e lindas estão sempre em movimento, sempre falando com mil reflexos de verde. Se isso não for um milagre, não sabemos nada sobre os verdadeiros milagres. Pois quem será capaz de dizer que alguma coisa querida que foi rasgada e retalhada morreu de verdade?


Quanto a qualquer mulher arrasada, quem poderá um dia começar a avaliar que grande vida acabará por brotar dos seus cortes, dos seus ferimentos — da eletricidade empurrada para cima a partir do seu cerne oculto, aquele estopim dourado?

Por mais que ela tenha sofrido mutilações profundas, sua raiz radiante ainda está viva, ainda está produzindo e sempre estará à procura de vida significativa a céu aberto.


Dentro da psique de muitas mulheres existe algo que entende intuitivamente que o conceito de "curar" está incluído na palavra "saúde". Quando ferida, ela se torna "cheia de cura" — cheia de recursos de cura —, o que significa que algum filamento vibrante, gerador de vida, no seu espírito e na sua alma se move persistentemente na direção da nova vida, seja na busca de muitos tipos de forças, seja na reconstituição da integridade perdida, seja na criação de um novo tipo de integridade, diferente da que havia antes. Essa força interna é cheia do impulso pelo bem-estar. Ela acredita num fator de salvação que pode resistir e há de resistir à crueldade.


O sistema radicular oculto cresce a seu próprio modo, independentemente de projeções, pressões e acontecimentos externos. Ele continua literalmente em efervescência, subindo em ebulição, fluindo para fora, para cima, atravessando o que for preciso, não importa o que tenha sido disposto contra ele. Aí incluídas forças externas. Aí incluída a própria mulher. Mesmo quando a atuação do ego é temporariamente reprimida, a mulher oculta por baixo da terra, a que cuida do fogo para esse fim, mantém a atitude pela vida — por mais vida! — que está sempre fazendo força para cima, sempre insistindo em mais vitalidade e se desenrolando, sempre preservando mais e sendo audaciosa e ponderada... e então mais um pouquinho, mais um pouquinho, até que a árvore da vida a céu aberto equipare-se a seu amplo sistema de raízes subterrâneas.


Quando falamos da criação da alma, aquela geração literal e ordenada de um sistema radicular cada vez maior, de um território da alma cada vez maior, conquistado e plenamente habitado, estamos vivendo como vive uma árvore gigante...


Ela não manda a energia só para cima. A medida que cresce acima do solo, ela envia energia de volta para baixo, com instruções para que o sistema radicular se intensifique, que busque mais nutrição, reações mais ponderadas às condições... tudo para dar apoio à copa cada vez maior lá em cima.


Não é diferente na vida de uma mulher. Qualquer uma que tenha registrado seus sonhos e observado como eles estimulam e moldam seus dias; e como o seu dia-a-dia também influencia seus sonhos, sabe que existe um relacionamento complementar entre sua vida exterior e sua vida interior.


Nos melhores casos, cada uma alimenta a outra e a torna sábia. O fundamento inextinguível dentro de uma mulher empurra a "força da vida" para cima, para sua mente, seu coração e espírito. Se ela prestar atenção, se escutar, obterá "ideias", em outras palavras, "filhas" brotarão dela na forma de ideias novas e vibrantes por uma vida maior e com mais significado.


À medida que uma mulher cresce a céu aberto na realidade consensual, ela também ordena a expansão do seu sistema radicular para que sua visão profunda, a audição mais cuidadosa e a mente mais perspicaz também se expandam. Trata-se de um processo em série, atemporal, sagrado, acionado pela atenção consciente ao modo pelo qual a psique amadurece de uma jovem menina para uma sábia vibrante, dançante, aprimorada pelo tempo.


Poderíamos aventar a hipótese de que um ciclo de energia armazenada como esse resida no inconsciente psicóide — Jung descreveu o inconsciente psicóide como um lugar na psique em que a psicologia e a biologia poderiam se influenciar mutuamente. Na verdade, porém, permanecem misteriosas para nós as origens dessa força que sempre brota na direção não só da vida mais plena, mas da vida em expansão, uma vida em que as árvores filhas crescem direto da raiz da mãe sábia...

Podemos saber, mas não sabemos dizer com muita precisão onde e como tudo isso ocorre.


A poesia faz-se necessária para explicar a força vital de uma mulher: a dança, a pintura, a escultura, os ofícios do tear e da terra, o teatro, os adornos pessoais, as invenções, escritos apaixonados, estudo em livros e nos nossos sonhos, conversas com outras que sejam sábias, o atento intuir, refletir, sentir e pressentir... criações e realizações de todos os tipos são necessárias ... pois existem certos assuntos místicos que as palavras concretas isoladas não conseguem expressar, mas que as ciências, contemplações do que é invisível porém palpável, e as artes conseguem.


Entretanto, no meio de qualquer tempestade ou contentamento, a bela força da vida estará para sempre preservada pela mulher oculta, que sempre se esforçará para que se saiba que consertos e impulsos começam novamente no próprio momento em que somos destruídas.


Assim, essa força interior atua como uma grana mère, a maior das avós, a essência da sanidade e da sabedoria da alma que sempre nos guia e que jamais nos abandonará.

Essa fonte misteriosa é vivenciada por meio daqueles conhecimentos nítidos e úteis que parecem chegar inesperadamente e por intermédio de origens invisíveis; em sonhos noturnos ousadamente explícitos ou intricadamente emaranhados; em explosões de energias e ideias eficazes que surgem aparentemente do nada; na súbita certeza de que se está sendo chamada para algo que necessita do nosso amor, dos nossos pontos de vista ou dos nossos toques; na inesperada determinação de interferir, dar as costas ou caminhar naquela direção.


Como a velha sábia que aparece de repente em contos, essa fonte que guarda o estopim dourado se manifesta mediante exortações interiores para que atuemos discretamente ou com exuberância; no impulso perspicaz de criar mais uma vez, valorizar mais fundo, consertar melhor, proclamar mais longe, proteger a vida nova.


À primeira impressão dessa prova atemporal pode ser estudada também nas mulheres de carne e osso. Aquelas que estão sempre procurando reter significados, em vez de criar alianças somente com os perecíveis; as que anseiam por florir e estão, hesitantes ou firmes, desenvolvendo os ovários para florescer plenamente e com frequência; as que lutam para pertencer a si mesmas e estar no mundo ao mesmo tempo, talvez em sequência, talvez todas juntas; mulheres que estão lutando para se tornarem fontes de semeadura, cujo lançamento de sementes procura espaço, e que, no pensamento e na ação, viajam muito além da sua conhecida terra natal.


A força e presença da maior das mulheres, a velha sábia, a grana mère, a maior das mães, é encontrada naquelas que são desde um pouco até muito perigosas, através da sua noção e disposição para pôr em risco ideias e existências desprovidas de alma, seja dentro de si mesmas, seja do lado de fora.


A prova dessa fonte sábia e misteriosa, nas raízes, é o que sempre se encontra em mulheres que estão aprendendo e que anseiam por aprender mais, que desenvolvem uma visão interior, que seguem intuições, que não serão impedidas de prosseguir nem silenciadas, que, a respeito de coisas profundas ou glórias que pareçam à primeira vista intimidantes, não dizem... "Isso eu não posso fazer", mas preferem perguntar a si mesmas: "O que eu preciso reunir para poder fazer isso?"


Não importa onde ou como vivamos, não importa em que condições... nunca estamos sem nosso supremo aliado, pois, mesmo que nossa estrutura externa seja insultada, agredida, apavorada ou mesmo destroçada, ninguém poderá extinguir o estopim dourado, e ninguém poderá matar sua guardiã subterrânea.

__ Clarissa Pinkola Estés (A Ciranda Das Mulheres Sábias)

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